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Itibere

Oficina da Música Universal

Público alvo:

É direcionada a músicos de qualquer idade que tenham alguma prática em seu instrumento, em qualquer nível de desenvolvimento técnico.


Fundamentos:

Em 1999 Itiberê Zwarg recebeu um convite da Escola de Música Villa Lobos, Rio de Janeiro, para ministrar uma oficina de música de uma semana na escola. Itiberê, que nunca havia ministrado uma oficina até então, aceitou o desafio. Na sua oficina iria se tocar "música universal", e a metologia seria baseada na escuta e na intuição. Música Universal foi o termo encontrado por Hermeto Pascoal para descrever sua música que, sem preconceitos, engloba todos os estilos, valoriza elementos da tradição musical popular brasileira, e ao mesmo tempo, ultrapassa a barreira entre a música erudita e a popular, justapondo traços da música regional de todo o mundo, refletindo com isso sua universalidade.

A oficina foi um sucesso e Itiberê foi convidado pela Proarte, Rio de Janeiro, para realizar oficinas permanentes que acontecem até hoje neste espaço.


Objetivos:

  • • Desenvolver a escuta como ferramenta principal do músico;
  • • Fazê-lo ouvir a música e interagir com os outros músicos;
  • • Desenvolver a percepção rítmica , melódica e harmônica;
  • • Trabalhar o talento de cada participante na prática em conjunto, respeitando-se sempre seus limites e possibilidades;
  • • Romper com as fronteiras entre erudito e popular, estimulando a universalidade temática.

Método:

Itiberê utiliza um processo didático onde a composição de uma obra musical, no decorrer da oficina, é por ele realizada passo a passo na presença dos músicos , que participam assim de todo o processo criativo.
"Conforme vou compondo, em um instrumento qualquer, a música vai sendo executada quase que simultaneamente à criação.

componho uma melodia e passo para o saxofone; faço a harmonia para o piano e, em seguida, vou abrindo vozes para os outros instrumentos, parte por parte. Reproduzir de ouvido o que vou criando possibilita o desenvolvimento da percepção, assim como da memória musical. O que se verifica é que a memória de cada músico é acionada por estímulos auditivos, e não visuais. Desta forma, a música é vivida com mais intensidade por cada um dos participantes. Somente após termos a composição pronta, os instrumentistas recebem as partituras, escritas em tempo real, durante a oficina, por um profissional parceiro.

O fato de se trabalhar em primeiro lugar a escuta e a prática musical pode ser comparado com a lógica que se estabelece no aprendizado infantil - primeiro a criança escuta os sons emitidos na fala dos adultos, reconhece-os e associa a estes seus significados, aprende a repeti-los e posteriormente a escrevê-los.

O método utilizado possibilita a participação de músicos com diferentes níveis técnicos: para quem pode mais, Itiberê escreve sem restrições; para quem ainda está começando, ele escreve em um nível compatível. Com isso, torna-se possível trabalhar com grupos heterogêneos. Estimula-se também práticas de colaboração entre os músicos mais ou menos experientes, deixando as individualidades sobressaírem naturalmente na medida de suas habilidades.


Formatos:

As oficinas podem ser realizadas das seguintes formas:
  • a) Oficina regular – Uma vez por semana, durante três horas. Como é realizada de modo contínuo, os participantes podem entrar em qualquer momento.
  • b) Oficina itinerante – Pode ser realizada em qualquer lugar do Brasil e do exterior, com grupos previamente agendados. A duração ideal do trabalho é de 20 horas, distribuídas em cinco dias. Outras possibilidades de carga horária poderão ser combinadas caso a caso.

Por onde as oficinas já passaram:

As oficinas regulares aconteceram na Proarte, Rio de Janeiro, de 1999 até 2011. Hoje acontecem na Maracatu Brasil, também no Rio de Janeiro. As oficinas itinerantes já foram realizadas em várias partes do Brasil: Festival de Tatuí (SP), UFMG (MG), Festival de Itajaí (SC), Projeto Ciranda- Cuiabá (MT) e Oficina de Música de Curitiba (PR).

No exterior, Itiberê ministrou oficinas na Manhattan School of Music (EUA), Purchase College (NY, EUA), Universidade Federal de Bogotá (Colômbia) , Universidade do Litoral em (Santa Fé, Argentina), Hoschshule für Musik (Basel, Suiça).



“Cozinha” da Música Universal

A prática da sessão rítmica (“Cozinha”) da Música Universal é muito criativa e multifacetada, integrando diversos estilos. É ministrada por Itiberê Zwarg em sessões semanais no Rio de Janeiro ou em formatos a serem combinados em outras cidades brasileiras e no exterior.

Assim como na harmonia, no ritmo também existem várias inversões de cada matiz. Com o conhecimento dessas inversões (ferramentas rítmicas) e com a interação dos parceiros, teremos uma atuação coletiva de alto valor artístico. Através da escuta, cada músico se inspira na atuação dos parceiros, completando o que falta com as inversões correspondentes.

Levando-se em consideração a quantidade de ritmos e matizes que compõe o leque da Música Universal, poderemos imaginar a extensão desse trabalho, no que diz respeito à quantidade de ferramentas e à profundidade em que elas poderão ser empregadas. Por exemplo, existe uma prática que nós chamamos de “picadinho”, que consiste em estar com a subdivisão na cabeça (a semicolcheia pulsante) , e aí tocar em alguns pontos do compasso , deixando pausas que deverão ser preenchidas pelos outros parceiros, obrigado-os a ouvir para depois tocar,completando com aquilo que não tinha, utilizando freqüências graves, médias ou agudas.

Cada instrumento atua em sua função, mas com a liberdade de criar em tempo real. Também pode ocorrer uma inversão de funções, que será absorvida e completada pelos parceiros. É como acontece no futebol: quando os zagueiros sobem para o ataque, e o meio de campo ou os atacantes recuam para cobri-los, há uma inversão de funções. Por exemplo, há momentos em que o contrabaixo passa a ser o protagonista, e o piano e bateria completam as idéias propostas.

Tudo isso é feito através da intuição, pois essas ações necessitam de um reflexo rápido, que o nosso racional não consegue processar a tempo. A intuição é o canal por meio do qual aprofundamos nossa visão musical. Com isso, conseguimos voar alto e longe, mas sem nunca perder o” fio terra” da nossa função dentro do processo.

Nem sempre as “cozinhas “são convencionais: podem ser compostas por todos os tipos de instrumentos, mas terão sempre as funções definidas para que tudo fique “harmonioso ritmicamente”.

A parte harmônica é um capítulo à parte. Os acordes ( piano ,violão, guitarra, etc.) , o baixo ( cello, tuba, Sax barítono, clarone, etc) terão suas inversões que soarão melhor em determinadas regiões entre graves, médios e agudos. Por exemplo, a função “baixo” definirá sua tessitura de acordo com as inversões da função “piano”, e a função “bateria” deverá escolher sua tessitura de acordo com as demais funções, sempre completando o que falta. Todo esse processo será guiado pela intuição. O racional virá por último para catalogar o que já foi intuído. A ação seguinte será integrar a harmonia às conquistas rítmicas.